Itinerário

@kaspark
Viajava 117 km
Sem os pés tocarem o chão

Pela janela do carro
Minha mãe traçava um mapa afetivo
De rios, quebra-molas e pontes suspensas

Tibagi, Laranjinha, Cinzas
Esses montes de água
Eram todos oceanos
Enxurradas
Encharcando meu olhar de menina

Corre, criança!

Deixa molhar
Inundar
Transbordar

Decora a rapidez do velocímetro
A dança dos musgos, pedras, corredeiras
Bois de piranha, placas de sinalização
Botes inseguros, barcos à vela

(Os rios da infância
são
sempre
maiores
dentro de nós.)

Partilha: diálogo e empreendedorismo feminino

Evento feito por mulheres e para mulheres acontece no sábado (10), na Casa Madá
Dia 10 de dezembro é dia de Partilha! Feito por mulheres e para mulheres, o evento pretende estimular e promover diálogo, mudança, mistura e transformação - tudo isso em um espaço colaborativo que já se destaca no cenário londrinense: a Casa Madá.
Na programação, que vai das 14h às 22h, brechós, comes e bebes, artistas, empreendedoras londrinenses e vivências para as mulheres, como yoga e oficinas artísticas – tudo isso ao som de boa música, com discotecagem de Iakyma Lima e Carol Dutra.
A ideia é criar um espaço que propicie e estimule o trabalho de mulheres, não importa a natureza dele – artística, gastronômica, musical... O Partilha viabiliza um espaço em que as mulheres sejam as protagonistas e possam mostrar para o mundo aquilo que fazem.

Apesar de o evento ter foco nas mulheres, homens também são bem-vindos. 

Como entrada, serão arrecadados produtos de higiene pessoal - absorventes, desodorante, shampoos, condicionadores etc. -, que serão distribuídos para mulheres em situação de rua. As oficinas são pagas e dependem de inscrição e disponibilidade de vagas.

Oferecimento: Coração Nonsense
Apoio: Casa Madá

Programação:

BRECHÓS:
- Acervo de Camila Dervelam
- Acervo Thais Beckert + Jessica Koyama
- Vanilla Bazar com acervo de Manuela Manhães Slonski
Velharia
- Acervo Luana Fernanda e Luana Soares

EXPOSITORAS:
Astronave de Papel
La resistencia gráfica
Adri & Ana
Studio La Bella Mafia Tattoo

VIVÊNCIAS:
- Microfone aberto
#leiamulheres
- Varal de ilustrações, com Sarah Barbosa aka O que eu não digo
- Oficina de bordado em bandeirinhas, com Mariana C. Fernandes
- Yoga + bate-papo sobre a prática, com Lucélia Canassa
- Oficina de bonecas articuladas, com Thaís Arcangelo, do Astronave de Papel

COMIDINHAS:
Edi - Doces finos e Bolos caseiros
SUR pães artesanais e empanadas chilenas
- Yes, Sugar
- Brigadeiros & outras delícias, por Suzany Shiraischi, Amanda Ramos e Camila Barbosa

DISCOTECAGEM POR Iakyma Lima e Caroline Dutra

E MAIS:
Arara do desapego com trocas de roupas e acessórios. Pegue uma peça e deixe outra - simples assim! ;) 

*Arte do cartaz: Ana Lu <3


Retardatário

Talvez nunca seja uma palavra um pouco forte
mas você nunca aparecia quando eu realmente precisava
quando eu pedia
e implorava

por declarações
cópias das chaves de apartamento
provas bobas de amor
(um bilhete, carinho nas costas, dedicatórias)

Nunca era às vezes
mas é tudo muito bagunçado do lugar que eu lembro agora
(pour ma mémoire)

O passo saiu errado
virou pisada no dedão do pé
unha encravada
farpa
fungo
calo

Desencontr amos

Errei também
talvez de uma forma diferente
de modo que nada disso pode ser medido

Mas já deu a hora
ninguém aguenta mais falar no assunto
nem eu
nem você
nem os nossos amigos em comum
que precisam ouvir duas vezes a versão da mesma história

Eu só preciso dizer
que você sempre chega atrasado

(Você sempre é exatamente o que eu preciso quando eu já não preciso mais)

Não sei se é a música do Caetano
o quereres
tão seus
sempre

Mas
apesar de nunca ser uma palavra muito forte
muito curta e muito afiada
você nunca estava quando eu precisava que você estivesse

Era sempre um atraso
um tropeço
uma caixa de entrada vazia
uma passagem adiantada
uma visita corrida

Você me disse palavras bonitas
agora
(foi há pouco)
e eu chorei uma grande poça d´água
mas passou

I can't do anything with your easy words, lembra?

(Não agora)

Mas você está certo
Matilde Campilho está certa
we've changed, honey boo
e tudo bem

É novembro
Está tarde
É hora de trocar os lençóis
enfim.

Acorda. Você está atrasado.

Clare Elsaesser 

Do muito e do pouco


A gente se contenta com pouco
vangloria o abraço frio
a cabeça no meio das pernas
exalta o macho exaltado

A gente se contenta com pouco
porque tem um mundo todo
dentro de nós

E em volta é só bagunça
e dor
e paus querendo entrar e sair
entrar e sair

Mas não vão
não vão entrar mais

Porque a gente se contenta com pouco
mas tem que parar

Tem que ser desejante
sujeito
concedimento

Tem que ser bom
tem que ser dois

Tem que entrar porque quer
Porque é bom
porque faz bem

Não entrar por entrar
chutar portas
estourar janelas
pisar com os pés sujos no chão de mim
(no chão de você)

[Tire os sapatos para falar comigo, menino]

A gente se contenta com pouco
mas não devia

Devia era se esparramar sem medo
no corpo de quem também se esparrama
No corpo de quem não é chute, força, bola de angústia na garganta

A gente se contentava
Mas o pouco nunca vai ser muito
quando a gente começa a enxergar

que se contentar
é estar contente
não só porra, pouco e nada

que em dança de dois
só é par quem sabe
que o muito é a única forma
de se saber gozo, corpo
e coração batendo por todos os lados.

Orfeu menos Eurídice (coisa incompreensível)


Sabe, a vida sem você é uma bagunça bonita. Tudo é uma outra versão da mesma coisa.
Eu não sei se você acordou às duas da tarde ou se resolveu levantar às sete, em um daqueles dias que você cisma que quer ser saudável, para de fumar e sai pra caminhar no parque.

Eu não sei quase mais nada de você. E acho que tudo bem.

Esses dias você me disse que é tudo muito triste, porque de fato a gente vai se acabando mesmo, até o ponto em que vai se esquecendo, se esquecendo e de repente tudo se resume a uma foto guardada no fundo da gaveta do criado-mudo que causa surpresa quando encontrada.  Quanto tempo passou, né?, nós vamos pensar.

É estranho sentir outras bocas, outros cheiros.

Mas é um estranho bom. Porque terminamos por aqui mas ainda existimos. Eu e você.
Não há mais nós no presente. Somos o que fomos - e isso não muda nunca.

Mas é bom deixar as coisas pra trás. Saber a hora de deixar ir.

Acho que isso, na verdade, é a equação mais difícil de um relacionamento. Cada parte da gente quer ficar, mas a gente sabe, sente ali no fundo, que é hora de ir. Que precisa. Tipo um abre alas para o coração: deixar os olhos verem outra coisa.

E eles veem. E como veem. E outras coisas surgem e outras pessoas surgem. Pessoas que você nunca tinha desconfiado da existência, mas que andam por aí e dançam e bebem e beijam.

Mas isso não apaga, não. Nada apaga a gente.  Eu sinto que vou ser meio que sempre um porta estandarte de tudo o que a gente viveu. Tá na minha pele. No mapa que você traçava com a ponta dos dedos com as pistas deixadas pelas pintas das minhas costas.

Seu gosto continua aqui.

Mas sigo. Preciso. Você também.

Quanta coisa que nem cabe. Que sorte a nossa.

Vai tua vida. Orfeu menos Eurídice (coisa incompreensível).

Imaginação

De todos os amores que eu tive
os que eu
não vivi
foram os
 m a i o r e s.

Breve reflexão sobre a crônica, o eu do cronista e o autor empírico

O texto do Gregorio Duvivier causou comoção nacional nesta semana. Eu o li, achei uma crônica bonitinha e segui a vida. Não entendi direito o porquê de todo o frisson, mas, lendo textos e comentários sobre, concluí: quando se trata da crônica, as pessoas não sabem diferenciar o eu do cronista do autor empírico
Explico: quando lemos um poema, não pensamos: nossa, olha essa poeta expondo seu boy; ou: nossa, olha esse poeta atravessando os limites do público e do privado. Isso tem uma explicação, claro. A poesia é "protegida" pelo eu lírico, essa espécie de persona poética, uma voz que permite dizer o que quer que seja dito. 
Do mesmo modo, no conto e no romance temos narradores - e por mais que sejam em primeira pessoa ou com toques claramente autobiográficos, é certo que há uma distinção entre narrador e autor. 
Na crônica, em específico, isso se confunde um pouco. E, claro, tem ligação com as características próprias do gênero: despretensiosidade, cotidiano, simplicidade, tom íntimo, proximidade com o leitor, enfim, a vida ao rés do chão. Apesar de suas muitas possibilidades, a crônica a como estamos acostumados hoje acaba remetendo a certa proximidade com a vida daquele ou daquela que a escreve. 
Não há como não se sentir próximo de Tati Bernardi, Antônio Prata, Milly Lacombe e do próprio Gregorio Duvivier - para citar alguns cronistas atuais. E era assim antes também, com Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Mário Prata, Clarice Lispector, Drummond...  A proximidade é real. Isso é indiscutível. Até pelo próprio suporte da crônica, que está lá, em sua essência, nas páginas do jornal, no folhear rápido e no encontrar de repente com uma voz parcial, que te diz mais coisas além de o que, quando e como. Cruzar os olhos com uma crônica entre as páginas do jornal nos faz quase que dizer: muito obrigada. É a eternidade na impermanência
Isso não quer dizer, no entanto, que um cronista tem compromisso com a verdade ou que está simplesmente passando no papel a sua própria vida, sem filtro, sem intenção literária. Ou melhor: isso não quer dizer que um cronista não ficcionalize as coisas e também a própria vida. A crônica é um gênero literário e é tão enganador quanto qualquer outro - talvez até mais, por exatamente simular o não engano. A crônica não é autobiografia.
Exatamente por isso, eu gosto da ideia, cunhada por Luiz Carlos Simon, de chamar essa voz da crônica, que às vezes tanto se aproxima do autor empírico, o autor de verdade, o nominho na frente da capa, de eu do cronista. Isso ajuda a separar as coisas e fazer com que a gente pare de soar como xerife de gêneros literários e colocar na fogueira escritores e escritoras que só estavam fazendo, adivinhe só, literatura. 

Respirar de novo

Eu descobri agora porque parei de repente de ler.
Hoje eu acordei, coloquei minha blusa vermelha de lã, a meia por cima da calça de moletom. Em casa, tão confortável, tão segura. Aqui, nada de ruim pode acontecer comigo. A cachorra lambe as patas, ansiosa. O gato se esconde embaixo da colcha, com medo do mundo. Gato de apartamento.
Mas aqui eu acho que estou segura.
Então eu resolvi tirar uma manhã inteira pra ler aproveitando o silêncio raro que paira por aqui. Estou sozinha e confortável. A porta está trancada, minha mãe foi pra casa da minha avó, casa que habita a maior quantidade de loucura por m² . Três filhos, dois esquizofrênicos.
Passei a minha infância inteira com medo de enlouquecer. Quando não era isso, era o medo da minha mãe morrer. Os vinte anos chegaram e lembrei do que sempre me disseram: é aí que a psicose bate. Já passei da metade da década fatídica e ainda nada. Eu já fui pro divã duas vezes, então devo ser mesmo neurótica. Histérica, mais provavelmente. Não sei. Mas e se Freud estiver errado e Lacan não tiver percebido? E se a loucura ainda bater por aqui e a minha analista não percebeu?
Eu tenho a sensação de que desde criança eu fico masturbando a minha mente o dia inteiro. Pensando o que fazer com a alegria quando estou feliz e o que fazer com a tristeza quando estou na merda. Não chego a nenhuma resposta para os dois casos e sigo compulsiva por pensar. Traçar planos e rotas e medos e histórias inventadas com pessoas que não conheço e que provavelmente nem sabem que são personagens da história mental absurda que invento todos os dias desde que me conheço por gente.
Eu consegui dar uma bloqueada em todos esses impulsos por um tempo. Um tempo que coincidiu com a maior ressaca literária da minha vida. Eu parei de ler.
Eu respirei fundo e consegui acordar cedo por um ano inteiro e cumprir com meus compromissos. Eu escrevi uma dissertação, eu desisti de escrever romances. Eu coloquei uma calça flare e uma bolsa de couro e pensei: agora sou adulta. Eu consigo. Não pode ser assim tão difícil.
É isso que os adultos fazem o tempo todo, né? Eles mentem que tá tudo bem enquanto procuram o tarja preta no fundo do bolso.
Eu falo pra minha analista que às vezes eu só queria que a minha cabeça parasse um pouco. Só queria não sentir às vezes. Acordar e conseguir fazer as coisas sem morrer de angústia no meio do dia. Sem chorar porque não cheguei a lugar nenhum, mesmo sem saber que lugar é esse que eu queria tanto ter chegado.
Eu explodi hoje. Depois de tanto tempo, eu explodi. E vejo agora que eu estava meio dormente, como se tivesse sentado em cima do meu próprio pé e não o pudesse o sentir por inteiro. Só que eu estava toda assim. E daí peguei um livro sobre guerra e mulheres pra ler neste domingo de manhã e não tive como continuar, porque a guerra contada por mulheres é a guerra subjetiva, é a guerra útero e sangue e tranças. Mas daí o estrago já tinha sido feito e restou essa bola de alguma coisa no meio da garganta. Aconteceu. Voltei a doer inteirinha, depois de tanto tempo. Arde e eu escrevo, arde e eu escrevo. Então finalmente consigo respirar direito de novo.

Os anos que passamos juntos

Depois que acabam, os anos que passamos juntos ficam parecendo memória inventada. A cama triplica de tamanho, o cobertor amanhece intacto sobre meu corpo. 
Eu posso escolher todos os filmes e pausar mil vezes pra anotar as minhas frases preferidas, fazer xixi  mil vezes ou começar a ver outra coisa. Ninguém diz nada, porque não há mais alguém.
Eu também posso dormir ainda nos créditos iniciais, ver séries de clones ou assistir aos meus desenhos preferidos - e posso chorar com o fim deles, porque eu sempre choro e você sempre ri, sempre ria, porque é uma pessoa que não entende como pode ser triste o final de Toy Story 3. 
"Eu já vivi isso antes", eu tento me lembrar. 
Fica tudo uma grande bagunça, em que você não sabe direito pra onde andar, como se vestir, como dançar sozinha no meio da pista. E então você busca um corpo amigo pra abraçar e dançar com você e fecha os olhos bem apertado e finge que tudo desapareceu e que você se basta. 
Mas talvez isso não seja verdade. 
Ou talvez seja, mas isso não faz das coisas menos doloridas agora.
É preciso reaprender a ser eu mesma.
O que eu desejo? Quem eu quero ser? Como será o próximo ano? Qual será o próximo passo?
Análise e bebida ajudam. Dançar é bom. Conversar com amigos. Sexo casual. Conversar com amigos de novo. 
Eu me distraio. 
Parece que vai dar certo. Já terminei o livro que comecei a ler ontem, já organizei a agenda, quero passar o ano novo no Deserto de Atacama. Curso de inglês do outro lado do mundo talvez seja uma boa - um lugar em que a gente não exista e eu tenha que inventar outros nós. Voltar a fazer exercício físico também pode ser bom. Começar a fumar pode ser uma boa ideia.
Quereres.
De repente agora aprendo de vez a ser adulta.

(Mas do café que eu faço de manhã ainda sobra uma xícara.)

#11 Lista da semana

A quarta temporada de Orange is the new black
Acabei, não com atraso, a quarta temporada de Orange is the new black. Acho que poucas vezes na vida chorei tanto... Conversando com a Nani, uma amiga querida, ela me mostrou alguns links que problematizavam ~certas coisas~ que a série resolveu nos apresentar. Um deles é esse aqui, chamado Why I’m Not Watching Season 4 of Orange is the New Black.
Se você ainda não terminou de ver a série, já aviso que isso é um baita de um spoiler, então não leia os trechos abaixo:
This could have been avoided. There are ways to engage with violence and trauma through art without re-violating and re-traumatizing viewers. [...]
I don’t need to consume images of that violence for my entertainment, my education, or any other reason. [...]
I believe Poussey deserved better. I think we all do.
O documentário  O começo da vida 
Comecei a assistir ao documentário O começo da vida ontem, no Netflix. Dormi no meio, porque também sou filha de Deus... Mas, até a parte em que assisti, ficou um nó na garganta, de como essas coisas preciosas e simples são grandes na vida da gente e nos tocam eternamente. Então coloca na sua listinha pra assistir já!

As bahias e a cozinha mineira

As bahias e cozinha mineira são uma daquelas coisas que surgem na música vez em quando e que enchem a gente de esperança - soma-se a esse grupo nomes recentes como Liniker e Johnny Hooker, por exemplo. Eu vi um show delas em Paraty, que rolou durante os dias em que eu estive lá para a Flip. Foi com certeza uma das melhores coisas da viagem. Hoje vou ter a sorte de revê-las lá no Valentino. O link do evento tá aqui, ó. Não deixem de ir porque é um rolê dos mais incríveis.

Sobre ficar quietinha


Esse tema tem comido meu cérebro esta semana... Até escrevi um texto sobre o assunto... Pode ficar quietinha um pouco?

Rupi Kaur
Essa mulher... Você já deve ter ouvido falar sobre ela! Ela fez aquela série de fotos chamada Period, sobre menstruação, corpo feminino e os tabus que nos envolvem. Ela é indiana, só tem 23 anos e é uma pessoa muitomuito foda. Sugiro que sigam o Instagram dela pra ontem, porque é maravilhoso <3

A internet e o silêncio

Natalie Foss

Às vezes parece que eu só existo enquanto eu falo. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. 
A tristeza pede doses mais dramáticas. Versos são sempre bem-vindos pra tentar dar conta da bagunça. O contrário, a alegria, também costuma funcionar mais ou menos assim. Só que é um espernear sem tamanho. Geralmente vem em prosa, em fala não contida, em vontade de dançar.
Mas eu às vezes quero o silêncio. Preciso dele. Pode ser o sol que está em Câncer ou só aquela sensação de que de vez em quando a vida pede uma pausa pra respirar. Duas braçadas e o ar entrando ardido pelo nariz e pela boca. Mais duas braçadas.
Às vezes surge aquela vontade de ficar quietinha, da meia por cima do pijama, sem maquiagem, sem sutiã;  chegar em casa, tirar os sapatos e se tacar no sofá pra assistir qualquer coisa que fale por mim.
Mas como lidar com esse desejo silencioso em tempos de internet e redes sociais, esse mangue de palavra e som? 
Nessas últimas semanas tenho pensado muito isso. Nesse desejo de fazer-se ver como ideal, sem sombras, sem falhas, sem tristezinhas fundas e insistentes.
Não à toa, bate aquela bad trip quando a gente rola o feed do Instagram e pensa: essas pessoas conseguiram passar por este dia de uma forma que eu não consegui. A boa e a má notícia é: elas também não conseguiram.

Excesso de conteúdo & vida perfeita

Rede social e internet são simulacros e isso não é nenhuma novidade. Você é seu avatar e vende a saúde, a beleza, a boa vida. Pode vender também sua inteligência, seu bom senso, seu olhar crítico. Tudo depende. Apesar de algumas mudanças significativas, ainda há a necessidade de perfeição, seja na beleza, seja na coerência. Só que a perfeição não existe nem nesses casos nem em nenhum outro. Mas nadar em busca disso me parece o ritmo com o qual muita gente ainda dança, apesar das tentativas de fuga.
Fala-se muito por aqui. Há essa necessidade de expor, de botar pra fora. Textão is the new vômito e seguimos assim, nos virando do avesso. Junta-se isso ao ideal de vida perfeita, do avatar que não sofre, que não se deixa atravessar pelas ~adversidades~, e temos o n.1 do menu: o sentimento de fraude.
Não dá pra ser feliz o tempo todo. Não dá pra ser leve o tempo todo. E como falar sempre sem se mostrar frágil, torta, incapaz? A resposta, pra mim, está na pergunta. Retira-se o "sem". Não adianta fugir/fingir. Somos todos frágeis, tortos, incapazes. A mentira não cola mais. Não por acaso, a rede social que mais vem crescendo no momento é o Snapchat, que até então preza pelo real, pelo sem filtro, pela efemeridade que simula o diálogo entre as pessoas. Fala-se e as palavras se perdem por aí segundos depois. O que fica é a lembrança, o impacto, o riso.

Isso tudo pra dizer: como respeitar o próprio silêncio na internet?
Não tenho ideia, mas penso que a resposta não cabe aqui nem em nenhuma outra rede - e o desejo pelo silenciamento, infelizmente ou felizmente, não se autodestrói em 24 horas.

Youtube é ótimo, mas você já experimentou vida real?

Em busca da cabeceira perfeita

Como boa aquariana que sou, adoro inventar uma dor de cabeça uma moda. E não é que eu encalacrei na busca pela cabeceira perfeita? 
Se você, como eu, tem uma cama box, basicamente há duas opções: cabeceiras presas na parede ou modelos encaixáveis específicos para cama box. 

Para alimentar meu desejo pela cabeceira perfeita, separei algumas inspirações para dividir com vocês, ó:
De ferro

De madeira

De capitoné

De tecido

Prateleira + quadros

DIY
Minhas cabeceiras preferidas são as de ferro, mas andei procurando e elas são meio carinhas... na faixa dos R$ 1500 :(  Qual é a sua preferida? ;)
Ainda continuarei minha saga e vou postando por aqui.

Vocês gostam de posts desse tipo? Se sim, farei mais!

Lista da semana: Especial Flip

A Flip me deixou silenciosa. Foi um mergulho de volta à literatura - de onde eu estava bem distante. É como se eu tivesse perdido um pouco o jeito de falar.

Mesmo assim, pra não deixar passar batido a Lista da semana, selecionei aqui minhas coisas preferidas da Festa Literária Internacional de Paraty.

Paraty é azul
Toda vez em que eu visito uma cidade, tento encontrar uma cor pra ela. Paraty é azul.

Luvas de pelica

Não sei por qual motivo só estão disponíveis os áudios das mesas, sem o vídeo. Mesmo assim, essa foi uma surpresa pra mim e vale muito a pena ser ouvida. Traz um olhar talvez mais acadêmico da obra da Ana Cristina Cesar, autora homenageada da Flip 2016.

Tati Bernardi e a volta à adolescência
Eu tinha 14 anos quando descobri em palavra um eco de tudo o que eu sentia. Um eco Tati Bernardi. Eu a lia compulsivamente. FIz trocentas comunidades no orkut (sdds) com minhas frases preferidas, esperava por cada texto novo com uma ansiedade incontrolável. 
Um dia, enviei um texto meu pra ela e aos 15 anos ganhei o mundo quando ela o publicou em seu site. Tati, do começo dos seus vinte anos, me deu a maior certeza que eu tenho até hoje: a escrita. 
Eu torci pela Tati como poucas vezes torci por alguém nessa vida. Comprei a primeira edição de seu primeiro livro, acompanhei cada conquista. Cresci com ela, sendo guiada da melancolia ao humor, do amor ao escracho. Enquanto a lia, sentia que a vida, mesmo que por poucos minutos, ficava mais bagunçada, mas, de algum modo estranho e inexplicável, também mais compreensível. 
Encontrá-la na minha primeira Flip, depois de mais de 10 anos como sua leitora, foi de encher o coração de amor e orgulho. 

Bombom da Maga
Sorry estragar a expectativa de apenas coisas literárias, mas o bombom da Maga ganhou meu coração <3 Comi todos os dias e ainda trouxe uma caixa pra casa - que, claro, também já non ecziste mais. Caso esteja com viagem marcada pra Paraty, sugiro que passe por lá todo dia e leve pra casa um estoque considerável.

Um poema triste
Ana Cristina
(Cacaso)

Ana Cristina cadê seus seios?
Tomei-os e lancei-os
Ana Cristina cadê seu senso?
Meu senso ficou suspenso
Ana Cristina cadê seu estro?
Meu estro eu não empresto
Ana Cristina cadê sua alma?
Nos brancos da minha palma
Ana Cristina cadê você?
Estou aqui, você não vê?

Mom jeans ou jeans rígido - onde comprar + como usar

Há tempos que eu estava à procura de uma calça jeans com cara de mãe nos anos 80. Não por acaso, o modelo, que voltou com tudo agora, ficou conhecido como "mom jeans", ou jeans rígido, por não ter stretch e ser realmente mais durinho (e não tão confortável, vamos ser realistas). 
Não é que eu achei o bendito ontem? E por um preço bem justo lá na C&A: R$ 89 (faço um post específico depois). 
Você consegue encontrar modelos assim em brechós, mas é uma raridade - então, se achar, não pense muito e compre! Não custa procurar, né? 

Inspire-se comigo nessa lindeza:



#11 - Lista da semana

25 - Adele
disco 25, da Adele, já tá inteirinho no no spotify Minha preferida, por enquanto, é I miss you. Baby, don't let the lights go down.

Tá chegando a Flip...
No dia 29 de junho começa a Flip, a famosa Festa Literária de Paraty. Será a primeira vez que eu estarei por lá e eu não poderia estar mais animada! Ainda mais com a autora homenageada, Ana Cristina Cesar, que já apareceu por aqui em outra Lista da semana e é com certeza uma das minhas escritoras preferidas. Fique de olho no meu Instagram e no Facebook que eu vou postando tudinho de mais legal que rolar por lá ;)

#Gaypride

Se você ainda não viu, tem vídeo novo no canal do Coração Nonsense! Uma listinha bem gaypride, já que junho é mês do orgulho gay. Vai lá ver e me diz o que achou ;)

Carpool Karaoke
Eu sou completamente apaixonada pelo James Corden. Acho ele uma das pessoas mais legais do mundo todo. Junta isso com Karaokê, a minha coisa preferida vida e... it's a match! Adoro o quadro Carpool e esse com a Selena Gomez tá demais <3

Wake up, bitches!
Hoje tem uma festa muito massa no UP bar pra arrecadar fundo pra Marcha das Vadias de Londrina! Não dá pra perder! Cola lá ;)

"A Marcha das Vadias é um movimento surgido no Canadá contra a cultura do estupro, contra a cultura de culpar a vítima e julgar seu comportamento, suas roupas e seu passado. O caso do estupro coletivo acontecido recentemente no Rio de Janeiro, a reação de autoridades envolvidas e da população em geral nos mostra que essa luta está longe de terminar.

Por isso, dia 02 de julho tem Marcha das Vadias e vai ser lindo!
Só que para ser lindo precisamos de cartazes, faixas, carro de som e etc. Então sexta feira, dia 24 de junho, algumas das DJs mais bacanas da cena local se unem para uma festa em prol dessa causa: Amanda Corazza, Iakyma Lima, Caroline Dutra, Priscilla Faria e Katy Kakubo ♥."

Quando? 24/06 a partir das 21h
Antes das 23h R$7
Depois das 23h R$10
Arte: Manoela Silva

Pop Plus: plus size e empoderamento feminino

O mercado plus size nunca esteve tão quente! Não há crise para esse nicho, que só cresce mais e mais a cada dia. Amém! 
Uma das responsáveis por esse boom é a jornalista Flávia Durante. A Flávia é a idealizadora e produtora do Pop Plus, que teve sua 13ª edição no último final de semana. O bazar começou pequeno e cresceu absurdamente. Vendendo muito mais do que roupa plus size, o Pop Plus é um espaço de trocas afetivas e empoderamento, de representatividade e de autoestima, de liberdade e de respeito.

Mais de 2 mil pessoas circularam pelos dois dias do último Pop Plus! Um recorde que só tende a aumentar mais e mais! E por que tudo isso? "O sorriso e a autoestima elevada de vocês é o nosso principal incentivo! <3", os organizadores deixaram claro na página do evento.

Em seu Facebook pessoal, a Flávia reforça o recado:
"Tarraquipensano com meus botões... Sempre fui muito ligada à cena indie, alternativa e tal mas o Pop Plus foi a coisa mais subversiva que fiz na vida. Foi muito punk botar tudo isso no palco em um mundo de "gordo não pode". Muito orgulhosa dessa porra toda! ;~~ E foi a moda que despertou tudo isso, um meio que antes eu desprezava por não me enxergar nele." 
Flávia Durante
Fat & fab <3
O que rolou na 13ª edição
Os próximos #PopPlus serão em setembro e dezembro (São Paulo). Não dá pra perder ;)

Acesse o site do Pop Plus

Realização: Cena Pop Eventos Criativos e Art Shine Promoções e Eventos

Casaco de pelo = amor ou Como usar e ficar quentinha & gata

Nesse outono com cara de inferno inverno, eu tô num caso de amor hard por casacos de pelo - tudo fake, óbvio, que já estamos em 2016, então, por favor, a menos que você seja um esquimó totalmente isolado, comprar pele verdadeira não me parece uma opção. 
Eu nunca tive um desses, mas acabei cedendo por um amorzinho (esse aqui, ó) que cruzou comigo esses dias. E olha, não quero mais tirar! 
Pra me ajudar e ajudar você, cara leitora ou leitor, separei algumas produções legais com a peça. Vamos nos inspirar?
Ufa! Achei tanta coisa bacana que nem dei conta de excluir algumas hihi 
Dica do coração: sabe o que eu acho mais legal? Misturar o casaco de pelo com peças mais descontraídas ou mais cool, tipo tênis, macacões, calça de cintura alta... Acho que isso equilibra bem aquela coisa meio socialite da década passada que o casaco de pelo às vezes pode carregar - e, nada contra, mas acho que ele fica mais legal em produções menos literais. Outra coisa legal é aproveitar a onda fun que vem tomando conta da moda e arrasar nos casacos coloridos.

E aí, bora tirar o casaco de pelo do fundo do armário? ;)
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