Partilha: diálogo e empreendedorismo feminino

Evento feito por mulheres e para mulheres acontece no sábado (10), na Casa Madá
Dia 10 de dezembro é dia de Partilha! Feito por mulheres e para mulheres, o evento pretende estimular e promover diálogo, mudança, mistura e transformação - tudo isso em um espaço colaborativo que já se destaca no cenário londrinense: a Casa Madá.
Na programação, que vai das 14h às 22h, brechós, comes e bebes, artistas, empreendedoras londrinenses e vivências para as mulheres, como yoga e oficinas artísticas – tudo isso ao som de boa música, com discotecagem de Iakyma Lima e Carol Dutra.
A ideia é criar um espaço que propicie e estimule o trabalho de mulheres, não importa a natureza dele – artística, gastronômica, musical... O Partilha viabiliza um espaço em que as mulheres sejam as protagonistas e possam mostrar para o mundo aquilo que fazem.

Apesar de o evento ter foco nas mulheres, homens também são bem-vindos. 

Como entrada, serão arrecadados produtos de higiene pessoal - absorventes, desodorante, shampoos, condicionadores etc. -, que serão distribuídos para mulheres em situação de rua. As oficinas são pagas e dependem de inscrição e disponibilidade de vagas.

Oferecimento: Coração Nonsense
Apoio: Casa Madá

Programação:

BRECHÓS:
- Acervo de Camila Dervelam
- Acervo Thais Beckert + Jessica Koyama
- Vanilla Bazar com acervo de Manuela Manhães Slonski
Velharia
- Acervo Luana Fernanda e Luana Soares

EXPOSITORAS:
Astronave de Papel
La resistencia gráfica
Adri & Ana
Studio La Bella Mafia Tattoo

VIVÊNCIAS:
- Microfone aberto
#leiamulheres
- Varal de ilustrações, com Sarah Barbosa aka O que eu não digo
- Oficina de bordado em bandeirinhas, com Mariana C. Fernandes
- Yoga + bate-papo sobre a prática, com Lucélia Canassa
- Oficina de bonecas articuladas, com Thaís Arcangelo, do Astronave de Papel

COMIDINHAS:
Edi - Doces finos e Bolos caseiros
SUR pães artesanais e empanadas chilenas
- Yes, Sugar
- Brigadeiros & outras delícias, por Suzany Shiraischi, Amanda Ramos e Camila Barbosa

DISCOTECAGEM POR Iakyma Lima e Caroline Dutra

E MAIS:
Arara do desapego com trocas de roupas e acessórios. Pegue uma peça e deixe outra - simples assim! ;) 

*Arte do cartaz: Ana Lu <3


Retardatário

Talvez nunca seja uma palavra um pouco forte
mas você nunca aparecia quando eu realmente precisava
quando eu pedia
e implorava

por declarações
cópias das chaves de apartamento
provas bobas de amor
(um bilhete, carinho nas costas, dedicatórias)

Nunca era às vezes
mas é tudo muito bagunçado do lugar que eu lembro agora
(pour ma mémoire)

O passo saiu errado
virou pisada no dedão do pé
unha encravada
farpa
fungo
calo

Desencontr amos

Errei também
talvez de uma forma diferente
de modo que nada disso pode ser medido

Mas já deu a hora
ninguém aguenta mais falar no assunto
nem eu
nem você
nem os nossos amigos em comum
que precisam ouvir duas vezes a versão da mesma história

Eu só preciso dizer
que você sempre chega atrasado

(Você sempre é exatamente o que eu preciso quando eu já não preciso mais)

Não sei se é a música do Caetano
o quereres
tão seus
sempre

Mas
apesar de nunca ser uma palavra muito forte
muito curta e muito afiada
você nunca estava quando eu precisava que você estivesse

Era sempre um atraso
um tropeço
uma caixa de entrada vazia
uma passagem adiantada
uma visita corrida

Você me disse palavras bonitas
agora
(foi há pouco)
e eu chorei uma grande poça d´água
mas passou

I can't do anything with your easy words, lembra?

(Não agora)

Mas você está certo
Matilde Campilho está certa
we've changed, honey boo
e tudo bem

É novembro
Está tarde
É hora de trocar os lençóis
enfim.

Acorda. Você está atrasado.

Clare Elsaesser 

Do muito e do pouco


A gente se contenta com pouco
vangloria o abraço frio
a cabeça no meio das pernas
exalta o macho exaltado

A gente se contenta com pouco
porque tem um mundo todo
dentro de nós

E em volta é só bagunça
e dor
e paus querendo entrar e sair
entrar e sair

Mas não vão
não vão entrar mais

Porque a gente se contenta com pouco
mas tem que parar

Tem que ser desejante
sujeito
concedimento

Tem que ser bom
tem que ser dois

Tem que entrar porque quer
Porque é bom
porque faz bem

Não entrar por entrar
chutar portas
estourar janelas
pisar com os pés sujos no chão de mim
(no chão de você)

[Tire os sapatos para falar comigo, menino]

A gente se contenta com pouco
mas não devia

Devia era se esparramar sem medo
no corpo de quem também se esparrama
No corpo de quem não é chute, força, bola de angústia na garganta

A gente se contentava
Mas o pouco nunca vai ser muito
quando a gente começa a enxergar

que se contentar
é estar contente
não só porra, pouco e nada

que em dança de dois
só é par quem sabe
que o muito é a única forma
de se saber gozo, corpo
e coração batendo por todos os lados.

Orfeu menos Eurídice (coisa incompreensível)


Sabe, a vida sem você é uma bagunça bonita. Tudo é uma outra versão da mesma coisa.
Eu não sei se você acordou às duas da tarde ou se resolveu levantar às sete, em um daqueles dias que você cisma que quer ser saudável, para de fumar e sai pra caminhar no parque.

Eu não sei quase mais nada de você. E acho que tudo bem.

Esses dias você me disse que é tudo muito triste, porque de fato a gente vai se acabando mesmo, até o ponto em que vai se esquecendo, se esquecendo e de repente tudo se resume a uma foto guardada no fundo da gaveta do criado-mudo que causa surpresa quando encontrada.  Quanto tempo passou, né?, nós vamos pensar.

É estranho sentir outras bocas, outros cheiros.

Mas é um estranho bom. Porque terminamos por aqui mas ainda existimos. Eu e você.
Não há mais nós no presente. Somos o que fomos - e isso não muda nunca.

Mas é bom deixar as coisas pra trás. Saber a hora de deixar ir.

Acho que isso, na verdade, é a equação mais difícil de um relacionamento. Cada parte da gente quer ficar, mas a gente sabe, sente ali no fundo, que é hora de ir. Que precisa. Tipo um abre alas para o coração: deixar os olhos verem outra coisa.

E eles veem. E como veem. E outras coisas surgem e outras pessoas surgem. Pessoas que você nunca tinha desconfiado da existência, mas que andam por aí e dançam e bebem e beijam.

Mas isso não apaga, não. Nada apaga a gente.  Eu sinto que vou ser meio que sempre um porta estandarte de tudo o que a gente viveu. Tá na minha pele. No mapa que você traçava com a ponta dos dedos com as pistas deixadas pelas pintas das minhas costas.

Seu gosto continua aqui.

Mas sigo. Preciso. Você também.

Quanta coisa que nem cabe. Que sorte a nossa.

Vai tua vida. Orfeu menos Eurídice (coisa incompreensível).

Imaginação

De todos os amores que eu tive
os que eu
não vivi
foram os
 m a i o r e s.
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